sábado, 28 de julho de 2012

Boyfriend (Décimo capitulo)

          — Você está virando uma garota social — eu digo lambendo o sorvete que estamos tomando. — Melhor assim.
          — É, porque agora você pode falar que ama uma garota social.
          — Vamos começar com isso de novo? — digo, ouvindo atentamente o som da risada dela.
          — Talvez, mas agora não. Estou cansada demais, quero chegar em casa, e me jogar na cama.
          — Ah, com certeza iremos fazer isso.
          — Não vai ter tempo pra mais nada, se eu deitar...
          — ... vou dormir sem hesitar. — eu digo completando a frase dela.
          — Isso mesmo.
          Dito e feito, chegamos no hotel e cada um foi para seu quarto, me joguei na cama, e dormi quase que instantaneamente.

          Passaram-se os outros dias, o que foram monótonos demais para serem comentados: os casais se pegando, eu e Caroline saindo, voltamos para casa e dormimos para o dia seguinte, acordando apenas depois do meio-dia.
          — Bom dia — Carol disse pulando em cima de mim.
          — Ai, eu ainda sou feito de ossos, tudo bem? Eles podem quebrar.
          — Verdade, desculpe. Os ossos sagrados, me desculpe — ela disse levantando a mão como se estivesse se rendendo e rindo. — Você é muito frágil. Você transando deve ser muito mole... 
          — Vem cá então, deixa eu te mostrar — disse agarrando-a pelo braço e a puxando para meu colo, depois passando a mão por sua coxa.
          Ela fica resistindo, e se debatendo, então a soltei e ela me deu vários tapas no ombro.
          — Idiota, levanta, vamos comprar coisas para o lual, Virgem desesperado.
          Virgem desesperado, ela realmente havia me chamado de virgem? E ainda de desesperado? Ah, ela não sabia o que minhas... partes íntimas já viram, e sentiram. E esse pensamento me lembrou o gigante lote de tempo que eu não transava com ninguém, desde que a My World Tour acabou fico dependente apenas das garotas que encontro nas baladas, mas ultimamente Caroline não deixa eu nem beijar uma garota, quanto mais levar ela para casa. E sim, ela me seguia até em casa e ficava por meia-hora, às vezes duas esperando que nenhuma garota entrasse em casa. Ciúmes, mas ela negava.
          — Eu que sou virgem desesperado...
          — Eca! Não quero saber da sua vida sexual — ela gritou se afastando.
          — Você que começou...
          — Com uma brincadeira — ela disse me interrompendo. — Não perguntei se você é ou não virgem, sua vida sexual não me interessa. Assim como você não sabe se sou ou não virgem.
          — Eu sei que você é.
          — Ah, é claro, porque você tem super-poderes.
          — Não, não tenho. Mas sei que você é, porque você disse que nunca namorou, e garotas só perdem a virgindade com garotos realmente especias.
          — Tá... É... Vamos mudar de assunto — ela disse gaguejando.
          — Tudo bem.
          Ela revirou os olhos se levantando da cama. Me levantei também e cheguei mais perto dela, e então agarrando-a no colo comecei a fazer cócegas nela, o que a fez se contorcer por conta das risadas.
          — Para — ela disse entre risadas, enfiando as unhas compridas no meu antebraço. — Vai tomar... — ela se jogou no chão, e começou a me dar chutes no ar, numa tentativa frustada de fazer com que eu parasse de fazer cócegas nela, mas me joguei nela e continuei. Até ela me morder, com força.
          — Ai, isso doeu.
          — De nada, agora vai tomar banho.
          Me levantei, e tirei minha camisa jogando-a na cara de Caroline que gemeu de nojo e jogou a camisa para longe.
          — Você é nojento.
          — Me ama demais, la la la.
          — Criança.
          — Chata.
          — Bobo.
          — Seu bobo — eu disse brincando, esperando que ela me xingasse.
          — Só meu? — ela perguntou me surpreendendo.
          — Só seu.
          Cheguei mais perto dela, e dei um beijo em sua bochecha, agarrando-a com o braço esquerdo e tirando-a do chão colocando-a em cima da cama e fui para o banheiro. Liguei o chuveiro e comecei a refletir: ela tinha se tornando a minha melhor amiga, e eu acho que significava o mesmo por ela. E só então percebi o porque ela era tão ciumenta comigo: ela nunca teve um amigo para ter ciúmes, e agora que tem, não quer me perder. Eu admito: tenho ciúmes dela, não quero ela com nenhum filho da puta, e acho que ela pensa o mesmo por mim. Mas isso não significa que estamos apaixonados um pelo outro, e sim que somos amigos. Grandes amigos. Melhores amigos.
          Fiquei o banho inteiro pensando nisso, enrolei uma toalha na cintura e fui até o espelho, tirando com a mão o vapor que havia se grudado no mesmo. Olhei meu reflexo, e depois peguei as escovas de dentes. Escovei os dentes e pensei em Carol, no luau. Eu vou cantar uma música para ela.
          Abro a porta e dou um pulo quando vejo que Carol já está sentada no meu quarto usando um vestido amarelo florido, uma sandália baixa e uma tiara no cabelo mexendo no meu MacBook, fui até ela e vi o que ela estava vendo: as menções no meu twitter.
          — Cadê a privacidade? — disse.
          — Tá em falta — ela disse sorrindo.
          Praticamente voei para fechar a tampa do computador, e só quando aterrissei na cama pude perceber que a toalha havia ficado para trás. Carol estava olhando para minhas partes íntimas com os olhos arregalados.
          — O que foi? — perguntei com raiva, colocando a mão em cima, e saindo da cama para pegar a toalha, mas quando me virei percebi que ela ficou olhando pra minha bunda.
          — Nada — ela disse ainda olhando para baixo enquanto eu recolocava a toalha.
          — Gostou né? — disse rindo, e indo para o armário pegar as roupas.
          — Demais, bem grande — ela disse num som sarcástico, o que me magoou um pouco. E como se tivesse lido meus pensamentos, seu tom ficou sério e ela disse: — Não, é sério. É grande mesmo.
          Sorri, e coloquei a cueca ainda com a toalha em minha cintura, depois tirei a toalha e coloquei uma calça, passei desodorante e um perfume Dolce & Gabbana, peguei uma meia e um supra e me sentei na cama para coloca-los.
          Carol se levanto e foi até o armário, procurando alguma coisa, e então ela pegou uma camisa lisa branca com uma bandeira média do Brasil na manga do braço esquerdo.
          — Usa isso pra mostrar seu amor por mim.
          — Não te amo, mas amo o Brasil. Então vou usar.
          — Fala "amo muito você" — ela disse alguma coisa em português que eu não entendi.
          — O que isso significa?
          — Só diz.
          — Tá, amo muito você — eu disse em português, tentando sem sucesso copiar o que ela disse.
          — Aw, também te amo, meu lindo.
          — Vadia. Ah, admitiu que me ama.
          — Você também.
          — Amo mesmo.
          — Eu sei, vamos. As meninas devem estar nos esperando lá em baixo — ela disse jogando a camisa para mim.
          Agarrei a camisa no ar e a vesti, seguindo Caroline até o elevador. Descemos até o térreo, e vi os meninos batendo os pés irritados, e as garotas com bico e de braços cruzados.
          — Parando de birra os seis, o que houve? — Carol disse chegando perto dos sofás.
          Estávamos de mãos dadas, todos olharam para nós e os olhares desceram para nossas mãos.
          — Eles são idiotas demais — Natalie disse olhando para os meninos.
          — Vocês estão namorando? — Jessica perguntou.
          — Ah, vocês ficam tão lindos juntos — Caitlin murmurou.
          — Nós não estamos namorando — eu e Carol dissemos juntos soltando a mão um do outro.
          — Parece que estão — Jessica disse batendo os cílios.
          — Vocês vivem grudados um no outro, saindo sozinhos — Chaz disse.
          — Tá, que seja. O que houve aqui?
          — Passou uma menina aqui — Natalie começou.
          — Que tinha mais bunda, e mais peito do que não sei o que — Jessica continuou.
          — E esses idiotas, ficaram olhando e sussurrando que queriam traçar ela — Caitlin rosnou.
          Eu e Carol caímos na risada.
          — Eles só queriam provocar vocês.
          — Eu faço isso o tempo todo com Carol.
          Me arrependi das palavras assim que as disse, eu fazia mesmo. Mas caras maliciosas surgiram e nos olharam.
          — E depois falam que não estão namorando — todos disseram juntos, o que me deu medo.
          — Não estamos.
          — Faço isso porque ela fica bonitinha com ciúmes — eu disse bagunçando o cabelo dela. — Mas um ciúmes de amigos, não igual o de vocês — apontei para as meninas. — Ela é como uma Jazzy adolescente pra mim.
          Ela se virou para mim e sorriu dizendo "obrigada" sem som, e se virando.
          — Vamos?

          Quando voltamos do supermercado, pegamos as barracas os sacos de dormir e fomos para o acampamento-luau na praia. Chegamos lá, já estava no fim da tarde, as meninas (menos Carol)foram comprar alguma coisa para acender o fogo, enquanto os meninos me ajudavam a montar as barracas, cada um montando as suas. Carol tentava se aquecer enquanto me ajudava a montar a barraca que tínhamos comprado para dividirmos.
          As meninas chegaram, com uma sacola grande que parecia pesada. Os meninos foram ajudar elas, mas só depois que as barracas estavam prontas.
          — Sai daí, você tá mais atrapalhando do que ajudando tremendo tanto assim — eu disse empurrando Carol para onde os meninos usavam um fósforo para acender o fogo.
          — Ai, idiota.
          — Você tá tremendo, te jogo pro fogo e ainda reclama.
          — É.
          — Então vai se foder.
          — Não valeu, tô bem aqui.
          Natalie chegou perto de Caroline, e puxou-a pelo braço.
          — Onde vamos?
          — No shopping, vou comprar um vestido. E você vem comigo.
          — As meninas não podem ir?
          — Elas já vão.
          — E por que eu também tenho que ir?
          — Ai meu Deus! Dá pra parar de reclamar e vir logo? — Jessica disse puxando-a.
          Caroline olhou pra mim, como se pedindo socorro e eu dei de ombros e sorri. Terminando de montar a complexa barraca, e me juntando no fogo com os meninos para comer marshmellows.
          — E então... Você e Caroline? — Ryan perguntou com um sorriso malicioso.
          — O que tem? Somos só amigos...
          — Realmente acha que acreditamos na história do "somos só amigos" qual é Justin, não somos tão idiotas assim, não é? — Chris disse enfiando um marshmellow na boca.
          — E você entende muito de amor, não é?
          — Mais do que você, pelo visto.
          — Chaz, ajuda sempre é bem-vinda — eu disse chamando Chaz que estava calado para a conversa.
          — Foi mal, Justin, mas eu concordo com eles — Chaz disse apontando para Chris e Ryan com a cabeça. — Ei, acham que a Caitlin tá comigo de verdade ou não?
          — Ela gosta de você — eu disse, pois eu sabia como ela olhava para alguém quando gostava dessa pessoa. Sabia muito bem.
          — Que seja, vou dormir — eu disse me levantando e entrando na barraca. — Me acordem quando as meninas chegarem.
          Me enfiei para dentro do meu saco de dormir, e fiquei me virando de um lado para o outro, porque não conseguia parar de pensar para dormir, nem um pouco e então as meninas chegaram e Chaz abrindo a barraca pulou em cima de mim. Mesmo eu estando acordado.

Caroline.

          — Então... Você e Justin, ein Carol? — Caitlin disse se sentando na vitrina de uma loja, e todas fizeram o mesmo.
          — Não íamos ao shopping? — perguntei tentando mudar de assunto.
          — Foi só uma desculpa para te tirar de lá, qual é. Não iríamos falar sobre o Justin na frente dele, se toca! — disse Natalie revirando os olhos castanhos claro — Então, responda nossa pergunta: o que rola entre você e o Justin? 
          — Amizade, apenas isso. Podemos voltar? Estou com frio — eu disse me abraçando e me virando para a direção da praia.
          — Não caímos no papo de amizade — Jessica disse.
          — É, isso é papo furado — Natalie continuou.
          — Total, não há razões para você fingir que isso é mentira — Caitlin disse. — Além disso eu vejo nos olhos dele, que ele está completamente apaixonado por você.
          — Ai meu Deus! Você está louca, Caitlin? Eu e Justin? Ele está apaixonado por mim? Isso só pode ser brincadeira! — dei uma risada nervosa.
          Ninguém além de mim riu, elas apenas me encaravam de braços cruzados e caras sérias.
          — Ah, por favor. Não me diga que todas vocês acham isso.
          — Achamos — todas disseram juntas.
          — Como você não consegue ver? Tá tão na cara — Natalie disse.
          — E você também está apaixonadinha por ele — Jessica disse me dando um empurrãozinho. — Ah, qual é, no dia em que nos conhecemos você quase morreu de ciúmes quando eu o beijei.
          — Isso não é verdade. Nem nos conhecíamos na época, eu só achei que você era um pouco...
          — Vadia? Certo, agi como uma naquele dia. Mas... Tanto faz, voltemos ao ponto: Você e Justin. Formam um casal lindo, só não vêem. Ou vêem e não admitem. 
          — Por favor, me poupe. Vocês dois vão se casar e ter filhinhos. Lindos e perfeitos — Caitlin disse.
          — Que fantasia! Amizade entre meninos e meninas existe, tá bem?
          — Você — Natalie sussurrou.
          — Definitivamente não tem jeito — Jessica sussurrou também.
          — Só não consigo ver onde vocês vêem que eu e Justin estamos apaixonados um pelo outro. Qual é! Isso é tão... Estranho e constrangedor. Tipo, eu e Justin? Dá um tempo.
          — Tudo bem, vamos voltar.
          — Ótimo.
          — Ótimo. 
          Chegamos ao acampamento, e não vi Justin na roda de meninos que estava conversando e comendo marshmellows. Me sentei ao lado de Chris pegando da mão dele um marshmellow que ele ia colocar na boca.
          — Ei!
          — Não vai fazer falta, vai? — eu disse, e ele balançou a cabeça.
          Chaz se levantou e foi até a minha (e a do Justin) cabana, e pulou nela, depois só ouvi o grito do Justin.
          — Filho da puta! Eu tava acordado, idiota, não sabe mais meu nome? — ele disse irritado.
          — Desculpa, sua namorada... Quero dizer, amiga, chegou — Chaz disse enfatizando o "amiga".
          Que porra é essa? Agora todo mundo acha que estamos namorando? Mas o quê? Isso é tão... Infantil, idiota e... e... e... Constrangedor! Eu e Justin, quem iria imaginar. O grupinho de casais apaixonados, quem mais? Isso mesmo: Ninguém! Eu e Justin, a ideia me fez rir.
          Justin saiu da cabana com um violão para canhotos, e tocou a música Favorite Girl olhando nos meus olhos, o que fez as meninas fazerem um som de "awn" e sussurrarem "nós dissemos". Apenas revirei os olhos e fiquei prestando atenção na música que era realmente linda. E depois que ele terminou a música e todos aplaudiram ele foi ficar um pouco mais perto do mar, sozinho. Peguei um pacote de salgadinho que tínhamos comprado e fui até Justin.
          — Ei, garoto solitário.
          — Ei, garota sorridente.
          — O que está tocando? — perguntei interessada na música.
          — Ah, só uma música que escrevi para... para... Ah, esquece.
          — Pra quem? Hm, Justin está apaixonado — eu disse, cutucando-o com o ombro.
          — Não estou não — ele disse bravo. — A música é pra você, idiota.
          — Ah, que coisa linda.
          — Mas só vou tocar ela no seu aniversário, nem adianta insistir.
          — Ah, não vai mesmo. Uma coisa que você tem que saber sobre mim: odeio surpresas. Não me importo se você escreveu com amor e carinho, vai ter que cantar.
          — Mas...
          — Sem "mas", canta logo.
          — Tá bom. 
          E então ele começou a tocar algo no violão, algo calmo e bonito, realmente gostei do som.

You got the perfect way
(você tem o jeito perfeito)
That I never thought
(que eu nunca pensei) 
Find in some girl
(achar em alguma garota)
That made me feel like a superman
(que me faz sentir como um super-homem)
Because I feel I have to protect her
(porque eu sinto que tenho que protege-la)
What make her cry
(do que a faz chorar)
And make me feel
(e que me faz sentir)
Like a prince
(como um prícipe)
Without the white horse
(sem o cavalo branco)
Because I know
(porque eu sei)
That when I am with her
(que quando estou com ela)
I can be myself
(eu posso ser eu mesmo)
And not a lies box
(e não uma caixa de mentiras)
Because she makes me feel
(porque ela me faz sentir)

          Nesse minuto eu comecei a chorar, não sei porque a música me emocionou de um jeito que eu realmente nunca pensei me emocionar, a música (que ele tinha feito para mim) era a música mais perfeita que eu já tinha ouvido. Mas ele não tinha visto, estava concentrado em tocar o violão.

Like I was 
(como se eu fosse)
A normal boy 
(um garoto normal)
Walking in the LA's streets
(andando pelas ruas de LA)
DE MELLO, Juliana. Composição de Perfect best friend.

          — Gostou? — ele perguntou com um sorriso, e então olhou pra mim. — Ei, Carol, por que você tá chorando?
          — A música é linda — eu disse abraçando-o.
          — Obrigada, mas por que você tá chorando? 
          — Porque eu... É que eu nunca imaginei que alguém ia escrever uma música pra mim, e aqui está você, o adolescente mais desejado do mundo cantando uma música perfeita pra mim.
          — É... Eu... Me desculpa.
          — Pelo o quê? — eu perguntei, limpando as lágrimas com a manga do moletom do Green Lantern 10 vezes maior que eu.
          — Por te fazer chorar e coisa e tal.
          — Mas é muito burro — eu disse rindo e empurrando-o com força. — Tô chorando de emoção, ah qual é, você não pode ser tão burro. Pode?
          — Posso sim. E então qual o nome da música?
          — Não sei, estava pensando no que?
          — She make me feel, ou, Perfect best friend.
          — O primeiro título parece que você está escrevendo para o amor da sua vida. E o segundo, tá na cara que é pra mim — eu disse batendo os cílios. — Ao menos que essa música não seja publicada, nenhum dos títulos está bom.
          — Não vai ser, é uma música só nossa.
          — Então Perfect best friend é o nome perfeito.
          — Concordo. 
          Me encostei no ombro dele, e ficamos apenas olhando as ondas se quebrarem, quando levantei a cabeça para olhar pra ele, ele estava olhando para mim e então vi o olhar que Caitlin estava falando. Mas pra mim, não era um olhar apaixonado, era um olhar meio sinistro, daqueles que te envolvem e coisa e tal. Mas não um olhar apaixonado. Nunca um olhar apaixonado, e então puff, enquanto eu estava olhando os olhos dele nossos lábios se tocaram, e não se soltaram por um bom tempo, até eu me afastar porque estava sem ar, mas não levou muito tempo para que acontecesse de novo. E logo estava nós nos beijando de novo, e de novo. Pude ouvir o pessoal gritando "uhul!", mas não dei a mínima, estava concentrada em apenas uma coisa: os lábios de Justin. Me envolvi tanto com a coisa que demorou para perceber que eu já estava em cima dele beijando-o com as mãos em seu pescoço e ele puxando meu corpo para cada vez mais perto do seu.
          — Droga!
          — O que foi? — Justin perguntou me olhando confuso enquanto eu me afastava e me sentava.
          — Olha como eu sou inteligente: as meninas falaram que estamos apaixonados um pelo outro e eu estava negando, e então você aparece todo sedutor tocando violão, e a gente começa a praticamente comer um ao outro. 
          — É, você não é inteligente. E eu também não, porque aconteceu a mesma coisa com os meninos.
          Começamos a rir, e eu me deitei no peito dele olhando as estrelas. E então olhei para cima, e de novo ele estava olhando para mim.
          — Você me ama? — ele perguntou acariciando meus cabelos.
          — Eu... Eu não sei — disse engolindo em seco. — Quer dizer, eu te amo. Mas não desse jeito, não como namorada. Eu só te amo. Mas... Mas como amigo.
          — Ótimo, porque eu também não sinto nada assim por você.
          — Ai. Essa doeu.
          — Desculpa — ele riu. — Ei, que tal a gente fingir que está namorando, só pra deixar nossos amiguinhos ali felizes?
          — É, ai a gente sai com eles, tem que fingir está apaixonado um pelo outro. Os paparazzis tiram foto. E suas fãs começam a me odiar eternamente. Lógico, por que não?
          — Ah, desculpa.
          — Para de se desculpar! A ideia é boa, contanto que nada aconteça em público.
          — Tá dentro, então?
          Assenti, e pensei: até quando?
          — Vamos fingir estar namorando até quando?
          — Até o seu aniversário. Faltam só dois meses.
          — Tá, é tempo o suficiente. 
          — Também acho.
          — Vai, vamos voltar pra fogueira tô morrendo de frio. 
          Nos levantamos e fomos até a fogueira, Justin se sentou e quando eu fui sentar ao lado dele, ele me puxou para seu colo e me abraçou, deixando meu corpo mais quente, e eu gostei de sensação. Olhei para ele (era estranho vê-lo de cima, já que eu era uma anã perto dele), e nos beijamos. 
          — Então vocês se tocaram? — a voz de Jessica atrapalhou nosso beijo.
          — É... acho que sim — eu disse sorrindo.
          — E estão namorando? —  Chris perguntou com um sorrisinho perverso no rosto.
          — Sim — Justin disse, depois que eu fiquei em silêncio.
          — Até que enfim — Chaz e Ryan comemoraram pegando uma latinha de Coca-Cola e brindando com ela.
          Fomos dormir, eu e Justin entramos na nossa barraca, e os outros entraram na deles, não demorou muito para que ouvíssemos alguns gemidos vindo da barraca ao lado que era de Jessica e Ryan. Arregalei os olhos e eu e Justin demos risadas.
          — Que safados — eu disse sorrindo.
          — São mesmo — Justin disse. — E idiotas, acreditaram mesmo que estamos namorando.
          — Pois é, mas somos ótimos atores. É claro que acreditaram.
          — É. Somos ótimos atores.
          Comecei a cantarolar a Perfect best friend e Justin cantou-a comigo. Foi engraçado, enquanto ouvíamos os gemidos, estávamos rindo e cantando. E ficamos assim a noite inteira, conversando e cantando.

boooom, o que acharam? bom, a música foi composta por mim, então ficou uma bosta, mas eu realmente gostei desse capitulo. e espero que vocês também tenham gostado, obrigada. haha. beijinhos e comentem, quero pelo menos 9 comentários ein.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Boyfriend (Nono capitulo)

           Acordei esperando ter acordado antes de Justin, mas não. Ele já estava acordado rolando na cama, e praticamente arrancando os cabelos. Ri um pouco era engraçado vê-lo de ressaca.
           — Bom dia, sr. Quebra Promessas — eu disse me sentando na cama.
           — Não enche, tô de ressaca! — ele disse e eu quase ri, quase e então ele gritou: — Fecha a merda dessa cortina, Caroline! 
           Suspirei alto, me levantei e fui fechar a cortina. Depois me sentei na cama e enquanto ele rolava na mesma peguei um travesseiro e o coloquei em cima de minha perna cruzada. Dei dois tapas no travesseiro e disse:
           — Deita aqui — ele hesitou. — Deita logo! 
           — Para de gritar — ele disse se deitando no meu colo e fechando os olhos. 
           — Obrigada, agora tenta dormir.
           Ele o fez, enquanto eu mexia no cabelo dele, e com os olhos fechados sua respiração ficou mais leves, e então ele começou a roncar. Alto como sempre, mas já havia me acostumado. Fiquei ali olhando-o dormir com aquela carinha amassada, e cabelo mais bagunçado que o normal, um sorrisinho iluminava seu rosto, e então alguém entrou no quarto.
           — Justin, eu não acho a Ca... — Chaz disse.
           — Shhh... Ressaca — eu disse, Chaz assentiu e saiu do quarto, depois só escutei alguns gritos e sons do carro se indo.
           Bem, pelo menos iriamos ficar sozinhos, e eu não teria aula, pensei. Peguei o iPhone de Justin que estava no criado-mudo ao lado da cama e comecei a escutar música nele, para não ficar no tédio. Eram quase 5 p.m. quando Justin acordou.
           — Ainda de ressaca? — eu perguntei e ele fez que mais ou menos com a cabeça. — Pelo menos deve estar melhor. Bem, se precisar vou estar no meu quarto.
           Me levantei com cuidado e fui para meu quarto, deitei na cama e comecei a escutar meu iPod, tinha me acostumado com o silêncio apenas e a música. E então ouvi o barulho da porta se abrindo, olhei para o lado e vi Justin com aquele jeitinho sonolento e fofo que ele fica quando acorda. Ele foi até mim e se jogou na minha cama gritando "furacão!" o que me fez rir.
           — Não tô com sono, mas não quero fazer nada. Vem cá, fica abraçadinha comigo, até escurecer e todo mundo voltar.
           — Bebeu mais é? Saiba que beber mais não é solução pra ressaca.
           — Eu sei, mas eu gosto do seu abraço, é muito bom — ele sorriu, e eu também. — Vem cá.
           Ficamos abraçados, até escurecer e todos voltarem como ele disse, vai saber onde todos foram — eles voltaram para casa, mas depois saíram —, pois chegaram até mesmo depois de minha mãe, que tinha ido com Pattie ao mercado depois do trabalho, elas trouxeram pipoca e chocolate para nós, eu e Justin pegamos o carro e fomos na locadora pegar alguns filmes. Pegamos lanterna verde.
           — Obrigada.
           — Pelo o quê?
           — Por ter ficado comigo hoje.
           Sorri, ele era fofo. Chegamos em casa, fizemos pipoca e derretemos chocolate, jogando-o por cima da pipoca, e ficamos assistindo o filme. Eu não me cansava de ver, mesmo já tendo assistido umas mil vezes.
           — Não tô com sono — Justin disse assim que o filme acabou.
           — Eu também não.
           — Espera, vamos para a praia.
           — De noite, Justin? — eu perguntei e ele riu subindo as escadas.
           Quando desceu ele estava com um violão na mão, fomos a pé até a praia mais próxima e nos sentamos na areia, e então Justin começou a cantar One Less Lonely Girl, eu sorri, essa música era realmente linda, e quando ele cantava ficou mais linda ainda, enquanto ele olhava em meus olhos. Quando ele acabou eu aplaudi sorrindo, isso era um pouco clichê, mas eu o fiz. Me encostei em seu ombro e fiquei olhando o céu, sorrindo.
           — Sabe... você é tudo o que eu sempre quis sabe — eu disse olhando-o, e seus olhos brilharam. — Um amigo sabe, é bom ter um e saber que posso confiar em você.
           — Amigos... É — ele disse um pouco chateado. — Vamos pra casa, tá frio aqui.
           Chegamos em casa e fomos pra cama, tomei banho, coloquei um pijama de pano amarelo e me joguei na cama. Fiquei pensando em Justin, o que eu havia dito a ele era verdade, imaginei ele nos primeiros dias em que estávamos juntos nessa casa, e sorri, amanhã eu estaria fora dali. Na minha própria casa, e eu o veria menos, e isso me chateava um pouco. Mas também nunca conheci dois amigos que morassem na mesma casa. Espero que a casa não seja tão longe dali.
           Quando acordei no dia seguinte minha mãe estava pegando as minhas coisas e levando até a porta.
           — Eu te ajudo — eu disse me levantando, e levando as coisas para baixo.
           Justin estava na sala de visitas, como sempre, só de cueca. Ele me olhou e sorriu, pegando uma das malas em minha mão e levando até o carro.
           — Bom dia.
           — Bom dia — eu disse sorrindo assim como ele. — Vem, me ajuda a pegar as outras.
           Ele subiu comigo, e pegamos as malas, levando-as para baixo e as colocando no carro. Bom, precisamos de duas viagens para levar tudo, eu ainda não tinha ido. Havia separado uma roupa pra mim: uma regata roxa que ficava colada no corpo, um mini-shorts jeans e um Vans também roxo. Tomei banho e coloquei a roupa, depois prendendo o meu cabelo num rabo de cavalo alto demais.
           Desci as escadas e esperei minha mãe chegar, e dei de cara com Justin, segurando um monte de livros, vestido com uma bermuda jeans, uma camiseta azul, e um boné preto. Ele estava usando um tênis também preto da Supra. Minha mãe buzinou e nós dois passamos pela porta da frente, entrando no carro, ele na frente e eu atrás. Revirei os olhos, mas fiquei ali conversando com Justin, às vezes minha mãe entrava na conversa, mas não ficava muito tempo. Estávamos perto de casa, quando minha mãe pediu para Justin colocar uma venda em meu rosto. Isso não.
           — Mãe! Eu já te disse que odeio surpresas.
           Ouvi ela dar uma risadinha, e o carro parou. Justin abriu a porta para mim e me conduziu até um degrau no qual que quase caí, se Justin não houvesse me segurado. Fiquei parada em frente a casa, sem poder vê-la, e então uma mão começou a subir a venda devagar, e pude começar a ver uma porta de madeira grande, e paredes brancas, olhei para cima, a casa era grande. Abri a porta e havia um corredor com uma parede de vidro que se erguia do chão ao teto, atrás dela havia uma piscina não muito grande, com um jardim (provavelmente sintético) em volta, quando o jardim acabava havia uma churrasqueira, com um balcão grande, e com bancos grandes de madeira em sua volta.
           — Uau — eu disse olhando o local.
           — É, venha, vou te mostrar seu quarto — minha mãe disse pegando em minha mão e me guiando até uma escada que levava a uma suíte que tinha três paredes roxas e uma preta felpuda, que ficava de frente ao meu closet que contornava a minha cama, da qual havia dois criados mudos ao seu lado. Encostado na parede preta havia uma penteadeira com grandes gavetas, e uma cadeira roxa. Em uma das paredes havia um grande vidro que se abria e dava em uma varanda grande cercada por uma grade preta.
           Minha mãe abriu o closet, e as gavetas da penteadeira mostrando que minhas roupas já estavam no lugar. Ao lado da porta e do closet havia uma porta pequena que dava para o banheiro da suíte, que também já estava arrumado com meus cremes, perfumes, maquiagem, e etc. Minha mãe saiu do quarto, e fiquei apenas com Justin, fui correndo até minha cama e me joguei nela. Sorri, era perfeito.
           — Gostou da sua nova casa? — Justin perguntou sorrindo, e eu assenti. Depois ele jogou os livros ao meu lado na cama. — Vem cá, vamos estudar.
           Dei uma risadinha, e peguei um dos livros abrindo-o na página que Justin pediu. Ficamos estudando até terminarmos de estudar. E quando terminamos, ele pegou os livros jogando-os no chão, e deitando-se em cima de mim fazendo cócegas em minha cintura. Dei risada, e virei o jogo fazendo cócegas nele também. Nós dois nos deitamos um do lado do outro e começamos a dar risada.
           — Amanhã vou pra Bahamas, será que sua mãe deixa você ir comigo? — ele disse sorrindo. — Sei que prometi que iriamos fazer o luau na praia com os meninos mas isso pode esperar, eles vão comigo. E as meninas também, a gente pode fazer o luau lá. Quem sabe?
           — É, a ideia é legal — eu disse sorrindo. — Vou ver com minha mãe — eu disse saindo do quarto, e indo até minha mãe estava. Ou seja: a cozinha.
           Ela estava em frente ao fogão, fazendo alguma coisa para comermos.
           — Mãe?
           — Oi, querida.
           — Posso te perguntar uma coisa?
           — Claro.
           — Amanhã o Justin vai para Bahamas com o Chaz, Ryan, e tal, eu posso ir com eles? — eu fui direta. E ela respondeu com um sorriso e assentindo a cabeça. — Obrigada, obrigada — eu disse abraçando-a e dando beijinhos em sua bochecha.
           Subi até meu quarto correndo e falei para Justin que podia ir, ele falou que iria fazer algumas ligações para que eu fosse com ele, e eu fui arrumar minhas roupas, algumas horas depois ele chegou com um sorriso no rosto e disse que estava tudo certo.
           — Ok.
           — Ok.
           Demos risada e depois nos deitamos na cama conversando, peguei um pacote de Sour Patch Kids e ficamos juntos comendo e conversando, quando era de noite eu sorri vendo-o indo embora, apesar de que era um pouco estranho. Tomei banho, e coloquei o mesmo pijama da noite passada, depois me joguei na cama, literalmente, e olhei meu celular que havia recebido uma nova mensagem. Era Justin: É estranho não ter o quarto do lado ocupado pela menina mais chata do mundo, era o que dizia a mensagem, e eu respondi: Também acho estranho não escutar o ronco mais alto do mundo do outro lado da parede, ele mandou uma risada e eu sorri. Boa noite, eu mandei, e ele devolveu. Fui dormir sorrindo.

Justin.

           Acordei com o despertador tocando alto em meu ouvido, desliguei-o e liguei para Caroline.
           — Já acordou, dorminhoca? 
           — Não, não, atendi o telefone com forças sobrenaturais — ela disse rindo. — O que quer?
           — Vai se arrumar, vou te pegar daqui duas horas.
           — Tá — ela disse desligando. Joguei meu celular no criado-mudo e fui para o quarto de Chaz, acordando-o, e depois acordamos os outros. Apesar que os casais estavam dormindo juntos: Natalie com Chris, Chaz com Caitlin (o que eu ainda achava estranho), e Ryan com Jessica. 
           Depois descemos e fomos tomar nosso café da manhã: ovos mexidos, e suco de laranja. Yummi. Fiquei um pouco solitário, segurando a vela dos três casais, pelo menos quando Caroline estava aqui eu não era o único a ficar sozinho. E nessas horas percebo o quanto ela faz falta. Fomos todos tomar banho, e colocamos nossas roupas, jogamos as mochilas nos carros, os garotos foram para o aeroporto, mas eu fui para a casa de Caroline, que não era muito longe da minha, peguei as coisas dela, e joguei-as no porta-malas, ela se sentou na frente ao meu lado e me deu um beijo na bochecha, dizendo bom dia, o retribui, e então liguei o carro, fomos até o aeroporto. Algumas fãs, e alguns paparazzis nos pararam, eu dei autógrafos, abracei fãs e então entramos no jatinho. Colocamos algumas músicas no último volume e começamos a dançar, e rir pra caramba. Paramos um pouco antes de chegarmos em Bahamas, descemos do avião, e as fãs e paparazzis estavam lá, mais autógrafos e abraços e então entramos na van que nos levaria até o hotel no qual ficaríamos durante uma semana. Os quartos estavam divididos em dois andares. O penúltimo andar onde havia três quartos ficaram Chaz e Ryan, em um quarto, Jessica e Natalie em outro e Chris e Caitlin em outro. No último andar, o das coberturas, onde havia dois quartos ficaram eu, e é claro Carol.
           — Uau — ela exclamou quando abriu a porta de seu quarto.
           — É, eu sei é incrível. Me lembro da primeira vez que entrei num lugar desses, logo que achei a cama comecei a pular nela, e depois caí na cama espalhando algumas penas que haviam saído de um travesseiro.
           — Que infantil — ela disse rindo e entrando no quarto.
           — Qual é eu tinha quinze anos — eu disse seguindo-a enquanto ela abria as portas que haviam no quarto, visualizando-as bem.
           — Quinze anos! É infantilidade — ela disse rindo e se jogando na cama assim que acha o quarto. — Posso me acostumar com isso, mas não sei pra quê tantos armários, aposto que nem mesmo se a rainha da Inglaterra vir aqui usará todos os armários, quem dirá eu.
           — Que seja, tenho uma entrevista hoje, um show amanhã, depois teremos dois dia para ficar em casa e ir a praias, um dia com duas entrevistas, uma apresentação na rádio, e depois vamos ficar o dia inteiro fazendo compras para o luau que você propôs, depois vamos ficar a noite na praia, e no dia seguinte acordaremos cedo para pegar o voo para LA. Anotou? — eu disse, e ela assentiu com uma risada.
           — Como decora tudo isso? — ela pergunta se sentando na cama e me encarando.
           Dou de ombros, e olho para trás, onde dois homens uniformizados trazem as malas de Carol. Um pouco depois me viro para ela, podendo ainda ver um sorriso que logo que ela percebe que estou olhando para ela se desmancha devagarzinho.
           Olho-a e então também sorrio, ela agora está olhando pela janela, vendo uma praia vazia, e imagino que ela está querendo ir lá.
           — Tenho duas horas até a entrevista — digo sorridente, e então proponho: — Podemos ir até a praia, se voltarmos rápido.
           Ela faz que sim com a cabeça ainda com um sorriso no rosto, vou para meu quarto e coloco uma bermuda de banho, quando saio do quarto me deparo com Carol com uma camisa colada no corpo preta e amarelo e a pare de baixo de um biquíni amarelo. Sorrio olhando-a ir em direção ao elevador e apertando várias vezes até ele chegar no nosso andar.
           — Depois eu que sou infantil? — digo rindo e ela sorri, e só então reparo o quanto ela está sorridente, e fico me perguntando o motivo.
           — Kenny não vem? — ela pergunta olhando-me nos olhos enquanto o elevado para no andar de baixo ao nosso.
           — Vem, ele chega daqui uma hora — digo olhando a porta, será que eles também iam a algum lugar?
            Chaz, Ryan, Caitlin, Chris, Jessica e Natalie sorriem ao nos verem, e então entram no elevador, descemos juntos e quando chegamos ao térreo saímos do hotel andando pelas ruas até chegar a praia, que não é muito longe, demoramos no máximo uns sete minutos para chegar até ela.
           As meninas como sempre estenderam uma esteira no chão, e se deitaram nela, eu e os meninos corremos até a água e praticamente me jogo quando a água está perto de minha cintura. Sinto alguém atrás de mim e então volto a superfície com uma meia volta e dou de cara com Carol que está muito, muito perto de mim, o que faz Ryan, Chaz e Chris fazem sons provocantes de beijos. Reviro os olhos e dou um passo para trás, e ela faz o mesmo e então mergulha agarrando meu pé por debaixo da água o que me faz desequilibrar e cair na água, ela submerge rindo, e eu faço o mesmo com ela, mas dessa vez ela submerge com uma expressão raivosa, e sinto que haverá vingança mas não agora, a brincadeira começa a ter ruma e logo Jessica e Natalie também estão na água tentando agarrar os pés um do outro, quando penso na hora. Saio do mar e vejo uma mulher andando com um bebê no colo na calçada, e então chegando perto dela pergunto que horas são. Ela dá um gritinho e quase que o bebê cai no chão, se eu não tivesse segurado-o também, aposto que ele estaria no chão chorando. A mulher pega o celular de uma enorme bolsa, e vê as horas, em seguida pede para tirar foto comigo, eu assinto e ela se vai. Tenho que estar no hotel em alguns minutos, tomar banho e me trocar, faço um sinal para que o povo que ainda estava na água venham até mim, eles fazem, as meninas pegam as esteiras, e vamos para o hotel, chegamos lá, e todos nos enfiamos no elevados, eles descem no penúltimo andar, e eu e Carol vamos até o último. Entro correndo no meu quarto e vou tomar banho.

Caroline.

           Saímos da praia assim que Justin faz um sinal para irmos até ele, e então ele fala que tem que estar no hotel em minutos, assentimos e começamos nossa curta caminhada até o hotel, em silêncio, eu, particularmente estava sem assunto, e os casais se beijando, fazendo eu evitar pagar vela. Justin também estava em silêncio mas com um sorriso no rosto, acho que rindo da situação, chegamos no nosso andar e ele foi correndo para o quarto, vou para o meu também, entro debaixo do chuveiro e sinto as gotas fina da água pingarem em meu ombro descendo pelas minhas costas.
           Quando termino o banho coloco uma camisa roxa colada ao corpo, e uma calça, um Vans no pé, deixo meu cabelo secar ao natural e saio do quarto batendo na porta do quarto de Justin, esperando que ele deixe eu ir com ele na entrevista, não quero ficar de vela. Não, o termo "segurando vela" é inocente demais para a situação, eu estaria segurando é uma tocha olímpica.
           Bato na porta do quarto dele até ele abrir, ele está apenas com uma calça jeans, e uma toalha jogada nos ombros, além que está escovando os dentes. Entro no quarto rindo, o quarto é exatamente igual o meu, viro-me e o olho, enquanto ele anda até o banheiro, lava a boca e com a toalha a seca, depois se vira pra mim e diz:
           — O que foi?        
           — Posso ir com você, ou vou ter que me sentir uma forever alone mesmo? — pergunto com um sorriso.
           Ele faz que sim com a cabeça e pega uma camisa de uma das malas deixadas em um daqueles enormes quartos só para a bagagem.
           — Sim, o que? — pergunto rindo.
           — Você pode ir comigo, besta.
           — Obrigada, idiota — eu digo e ele, chega mais perto ainda colocando a camisa.
           — Vamos? — ele envolve meu ombro com o braço, e vamos para o elevador.
           Descemos até o estacionamento, e Justin abre a porta do passageiro para mim, entro no carro, e até mesmo antes de fechar a porta ligo o rádio. A música que está passando é de Justin, Turn to you, nunca tinha ouvido aquela música, e quando escuto percebo que é sobre o dia das mães. Nunca percebi que ele realmente ia para o estúdio.
           Fico sentada, apenas tentando acompanhar a música, que por sinal é linda, e a cada frase da música fico mais fascinada em como Pattie — a mãe de Justin —, é uma guerreira forte. Por mais que eu seja amiga de Justin, nunca fiquei realmente curiosa em saber da vida dele, apenas quando minha mãe estava assistindo o filme dele, mas só assisti uma parte.
           — Você está quieta — Justin diz apertando minha coxa.
           — Vou ficar tagarela então — digo me virando pra ele e sorrindo. — Qual vai ser a primeira coisa que vai ensinar pro seu filho?
           — Tocar violão e andar de skate, e você?
           — Eu, ahn... — hesito, eu gostaria de aprender a andar de skate e tocar violão pra ensinar isso pro meu filho. O Justin é tão estraga-prazeres. E então respondo: — Acho que seu soubesse fazer um dos dois, eu o faria.
           — Espera... Eu tenho uma coisa em comum com a menina mais irritante do mundo? — ele diz praticamente gritando. — Por favor, me diga que eu estou tendo um pesadelo.
           — Pesadelo nada, eu sei que você me ama. É um sonho.
           — Pesadelo.
           — Sonho.
           — Pesadelo.
           — Sonho.
           — Pesadelo, e eu não te amo. Fim.
           — Sonho, e você me ama sim. Demais.
           — Você sabe que quando a ficamos repetindo para nós mesmos que uma pessoa ama a gente é porque a gente quer que isso seja verdade. Então você que me ama.
           — Não amo, você que me ama.
           — Você que me ama, eu não te amo — eu digo elevando a voz.
           — É ao contrário.
           — Não é não.
           — É sim.
           — Não é.
           — Sim.
           — Não.
           — É sim, e pronto.
           — Não é, e fim — eu começo a rir olhando para Justin. — Parecemos duas crianças.
           — Crianças são divertidas.
           — Algumas são irritantes.
           — Só se você for irritante com elas, o que deve ser fácil para você.
           Bufo olhando ao redor procurando mais algum assunto, e então alguma coisa que meu pai havia me dito antes de desaparecer me veio a mente, não como um assunto, mas acho que sustentaria uma conversa.
           — Meu pai me contava, que a primeira vez que uma pessoa se apaixona muda a vida dela para sempre, e por mais que se tente, o sentimento nunca é esquecido. Eu nunca havia parado pra pensar, talvez porque nunca tenha me apaixonado, não de verdade. Mas será que é possível, alguém sentir algo tão... complexo por alguém? — pergunto refletindo em minhas próprias palavras.
           — Tudo é possível — ele diz entrando no estúdio. — Ainda mais quando se trata de assuntos do coração.
           E isso era tudo, paramos numa vaga próximo ao estúdio no qual entro com Justin logo em seguida, ele sobe uma escadaria, e eu o sigo. Ele para em frente a uma porta com o seu nome escrito nela, e se vira para mim dizendo:
           — Você vai ter que esperar fora até eu me...
           — Qual é garoto, eu já te vi só de cueca.
           — É que... eu... esqueci... de... colocar... a... cueca... hoje... — ele diz corando, o que me faz rir, e se vira fechando a porta pelas costas.
           Me encosto impaciente na parede ao lado da porta, esperando que ele saia logo, e então ele sai usando uma calça de couro preta, um tênis também preto, uma camisa preta, e um colete roxo também de couro.
           — Gótico — eu disse ignorando o colete roxo.
           (nota da autora: não tenho nada contra góticos, alguns anos atrás eu era considerada uma então... rs, se tiver algum lendo, não se sinta... humilhado ou algo assim, se tem alguém aqui que os respeita esse alguém sou eu -n)
           — Que você ama.
           — Não amo.
           — Vai começar?
           — Não.
           — Já começou.
           — E daí? Não prolongue o que não deve ser prolongado.
           — Vai entrar no palco comigo, ou vai ficar aí de guarda caso algum fantasma tente me matar? — Justin diz, mas eu não rio.
           — Onde você prefere que eu fique? — pergunto tentando lembrar a música que fica ecoando em minha mente.
           — Vem logo... — ele diz entrando novamente no quarto, e eu me jogo no sofá.
           — If I was your boyfriend, I'd never let you go. Keep you on my arms girl, you will never be alone... — cantei, ainda tentando lembrar o resto da música. — Hey, você conhece essa música?
           — Como não conheceria minha própria música?
           Quando ele diz isso congelo, era a música dele, óbvio. Boyfriend, se não me engano. E essa música estava na minha cabeça durante dias e eu nunca lembrava seu nome, ou de quem ela era.
           — Estou viciada em você — só depois que digo percebo o que fiz. — Quero dizer, viciada na sua música. Todos estão. É uma boa música.
           — Obrigado, vou cantar ela hoje, aqui.
           Respondo com um sorriso rápido, pois em questão de segundos o cameraman bate na porta gritando "5 minutos", saímos em disparada para o set de filmagem, e ainda estavam gravando o começo onde a entrevistadora anunciava para plateia que o convidado era Justin Bieber. Olho para o lado e não vejo Justin, começo a procura-lo mas não o acho, e então a direita da entrevistadora fumaça branca começa a sair e depois devagar uma silhueta começa a ser formada. Conheço a silhueta. Claro, convivi com ela tempo o bastante para saber de quem era. E então ele entra no palco improvisado, e entre gritos histéricos posso ouvir Justin cantando Boyfriend como tinha dito, e eu cantei junto com ele, tentando acompanhar com os olhos a dança que ele estava fazendo. E então discretamente ele virou o rosto para mim e piscou com aqueles olhos avelã e seu cabelo levemente bagunçado.
           Depois da apresentação ele se sentou em uma cadeira, e a entrevistadora me chamou como se tivesse lendo os pensamentos de Justin. Ou os meus. Ou o de ambos, eu sei lá. Não sei o que passa na mente daquele garoto, não infelizmente.

heeeeeey, esse capitulo ficou grande, bem eu gostei... espero que também tenham gostado, vou postar o próximo com 8 comentários, tá? é justo, não acham... obrigada leitores, vocês são demais.