terça-feira, 10 de julho de 2012

Boyfriend (Nono capitulo)

           Acordei esperando ter acordado antes de Justin, mas não. Ele já estava acordado rolando na cama, e praticamente arrancando os cabelos. Ri um pouco era engraçado vê-lo de ressaca.
           — Bom dia, sr. Quebra Promessas — eu disse me sentando na cama.
           — Não enche, tô de ressaca! — ele disse e eu quase ri, quase e então ele gritou: — Fecha a merda dessa cortina, Caroline! 
           Suspirei alto, me levantei e fui fechar a cortina. Depois me sentei na cama e enquanto ele rolava na mesma peguei um travesseiro e o coloquei em cima de minha perna cruzada. Dei dois tapas no travesseiro e disse:
           — Deita aqui — ele hesitou. — Deita logo! 
           — Para de gritar — ele disse se deitando no meu colo e fechando os olhos. 
           — Obrigada, agora tenta dormir.
           Ele o fez, enquanto eu mexia no cabelo dele, e com os olhos fechados sua respiração ficou mais leves, e então ele começou a roncar. Alto como sempre, mas já havia me acostumado. Fiquei ali olhando-o dormir com aquela carinha amassada, e cabelo mais bagunçado que o normal, um sorrisinho iluminava seu rosto, e então alguém entrou no quarto.
           — Justin, eu não acho a Ca... — Chaz disse.
           — Shhh... Ressaca — eu disse, Chaz assentiu e saiu do quarto, depois só escutei alguns gritos e sons do carro se indo.
           Bem, pelo menos iriamos ficar sozinhos, e eu não teria aula, pensei. Peguei o iPhone de Justin que estava no criado-mudo ao lado da cama e comecei a escutar música nele, para não ficar no tédio. Eram quase 5 p.m. quando Justin acordou.
           — Ainda de ressaca? — eu perguntei e ele fez que mais ou menos com a cabeça. — Pelo menos deve estar melhor. Bem, se precisar vou estar no meu quarto.
           Me levantei com cuidado e fui para meu quarto, deitei na cama e comecei a escutar meu iPod, tinha me acostumado com o silêncio apenas e a música. E então ouvi o barulho da porta se abrindo, olhei para o lado e vi Justin com aquele jeitinho sonolento e fofo que ele fica quando acorda. Ele foi até mim e se jogou na minha cama gritando "furacão!" o que me fez rir.
           — Não tô com sono, mas não quero fazer nada. Vem cá, fica abraçadinha comigo, até escurecer e todo mundo voltar.
           — Bebeu mais é? Saiba que beber mais não é solução pra ressaca.
           — Eu sei, mas eu gosto do seu abraço, é muito bom — ele sorriu, e eu também. — Vem cá.
           Ficamos abraçados, até escurecer e todos voltarem como ele disse, vai saber onde todos foram — eles voltaram para casa, mas depois saíram —, pois chegaram até mesmo depois de minha mãe, que tinha ido com Pattie ao mercado depois do trabalho, elas trouxeram pipoca e chocolate para nós, eu e Justin pegamos o carro e fomos na locadora pegar alguns filmes. Pegamos lanterna verde.
           — Obrigada.
           — Pelo o quê?
           — Por ter ficado comigo hoje.
           Sorri, ele era fofo. Chegamos em casa, fizemos pipoca e derretemos chocolate, jogando-o por cima da pipoca, e ficamos assistindo o filme. Eu não me cansava de ver, mesmo já tendo assistido umas mil vezes.
           — Não tô com sono — Justin disse assim que o filme acabou.
           — Eu também não.
           — Espera, vamos para a praia.
           — De noite, Justin? — eu perguntei e ele riu subindo as escadas.
           Quando desceu ele estava com um violão na mão, fomos a pé até a praia mais próxima e nos sentamos na areia, e então Justin começou a cantar One Less Lonely Girl, eu sorri, essa música era realmente linda, e quando ele cantava ficou mais linda ainda, enquanto ele olhava em meus olhos. Quando ele acabou eu aplaudi sorrindo, isso era um pouco clichê, mas eu o fiz. Me encostei em seu ombro e fiquei olhando o céu, sorrindo.
           — Sabe... você é tudo o que eu sempre quis sabe — eu disse olhando-o, e seus olhos brilharam. — Um amigo sabe, é bom ter um e saber que posso confiar em você.
           — Amigos... É — ele disse um pouco chateado. — Vamos pra casa, tá frio aqui.
           Chegamos em casa e fomos pra cama, tomei banho, coloquei um pijama de pano amarelo e me joguei na cama. Fiquei pensando em Justin, o que eu havia dito a ele era verdade, imaginei ele nos primeiros dias em que estávamos juntos nessa casa, e sorri, amanhã eu estaria fora dali. Na minha própria casa, e eu o veria menos, e isso me chateava um pouco. Mas também nunca conheci dois amigos que morassem na mesma casa. Espero que a casa não seja tão longe dali.
           Quando acordei no dia seguinte minha mãe estava pegando as minhas coisas e levando até a porta.
           — Eu te ajudo — eu disse me levantando, e levando as coisas para baixo.
           Justin estava na sala de visitas, como sempre, só de cueca. Ele me olhou e sorriu, pegando uma das malas em minha mão e levando até o carro.
           — Bom dia.
           — Bom dia — eu disse sorrindo assim como ele. — Vem, me ajuda a pegar as outras.
           Ele subiu comigo, e pegamos as malas, levando-as para baixo e as colocando no carro. Bom, precisamos de duas viagens para levar tudo, eu ainda não tinha ido. Havia separado uma roupa pra mim: uma regata roxa que ficava colada no corpo, um mini-shorts jeans e um Vans também roxo. Tomei banho e coloquei a roupa, depois prendendo o meu cabelo num rabo de cavalo alto demais.
           Desci as escadas e esperei minha mãe chegar, e dei de cara com Justin, segurando um monte de livros, vestido com uma bermuda jeans, uma camiseta azul, e um boné preto. Ele estava usando um tênis também preto da Supra. Minha mãe buzinou e nós dois passamos pela porta da frente, entrando no carro, ele na frente e eu atrás. Revirei os olhos, mas fiquei ali conversando com Justin, às vezes minha mãe entrava na conversa, mas não ficava muito tempo. Estávamos perto de casa, quando minha mãe pediu para Justin colocar uma venda em meu rosto. Isso não.
           — Mãe! Eu já te disse que odeio surpresas.
           Ouvi ela dar uma risadinha, e o carro parou. Justin abriu a porta para mim e me conduziu até um degrau no qual que quase caí, se Justin não houvesse me segurado. Fiquei parada em frente a casa, sem poder vê-la, e então uma mão começou a subir a venda devagar, e pude começar a ver uma porta de madeira grande, e paredes brancas, olhei para cima, a casa era grande. Abri a porta e havia um corredor com uma parede de vidro que se erguia do chão ao teto, atrás dela havia uma piscina não muito grande, com um jardim (provavelmente sintético) em volta, quando o jardim acabava havia uma churrasqueira, com um balcão grande, e com bancos grandes de madeira em sua volta.
           — Uau — eu disse olhando o local.
           — É, venha, vou te mostrar seu quarto — minha mãe disse pegando em minha mão e me guiando até uma escada que levava a uma suíte que tinha três paredes roxas e uma preta felpuda, que ficava de frente ao meu closet que contornava a minha cama, da qual havia dois criados mudos ao seu lado. Encostado na parede preta havia uma penteadeira com grandes gavetas, e uma cadeira roxa. Em uma das paredes havia um grande vidro que se abria e dava em uma varanda grande cercada por uma grade preta.
           Minha mãe abriu o closet, e as gavetas da penteadeira mostrando que minhas roupas já estavam no lugar. Ao lado da porta e do closet havia uma porta pequena que dava para o banheiro da suíte, que também já estava arrumado com meus cremes, perfumes, maquiagem, e etc. Minha mãe saiu do quarto, e fiquei apenas com Justin, fui correndo até minha cama e me joguei nela. Sorri, era perfeito.
           — Gostou da sua nova casa? — Justin perguntou sorrindo, e eu assenti. Depois ele jogou os livros ao meu lado na cama. — Vem cá, vamos estudar.
           Dei uma risadinha, e peguei um dos livros abrindo-o na página que Justin pediu. Ficamos estudando até terminarmos de estudar. E quando terminamos, ele pegou os livros jogando-os no chão, e deitando-se em cima de mim fazendo cócegas em minha cintura. Dei risada, e virei o jogo fazendo cócegas nele também. Nós dois nos deitamos um do lado do outro e começamos a dar risada.
           — Amanhã vou pra Bahamas, será que sua mãe deixa você ir comigo? — ele disse sorrindo. — Sei que prometi que iriamos fazer o luau na praia com os meninos mas isso pode esperar, eles vão comigo. E as meninas também, a gente pode fazer o luau lá. Quem sabe?
           — É, a ideia é legal — eu disse sorrindo. — Vou ver com minha mãe — eu disse saindo do quarto, e indo até minha mãe estava. Ou seja: a cozinha.
           Ela estava em frente ao fogão, fazendo alguma coisa para comermos.
           — Mãe?
           — Oi, querida.
           — Posso te perguntar uma coisa?
           — Claro.
           — Amanhã o Justin vai para Bahamas com o Chaz, Ryan, e tal, eu posso ir com eles? — eu fui direta. E ela respondeu com um sorriso e assentindo a cabeça. — Obrigada, obrigada — eu disse abraçando-a e dando beijinhos em sua bochecha.
           Subi até meu quarto correndo e falei para Justin que podia ir, ele falou que iria fazer algumas ligações para que eu fosse com ele, e eu fui arrumar minhas roupas, algumas horas depois ele chegou com um sorriso no rosto e disse que estava tudo certo.
           — Ok.
           — Ok.
           Demos risada e depois nos deitamos na cama conversando, peguei um pacote de Sour Patch Kids e ficamos juntos comendo e conversando, quando era de noite eu sorri vendo-o indo embora, apesar de que era um pouco estranho. Tomei banho, e coloquei o mesmo pijama da noite passada, depois me joguei na cama, literalmente, e olhei meu celular que havia recebido uma nova mensagem. Era Justin: É estranho não ter o quarto do lado ocupado pela menina mais chata do mundo, era o que dizia a mensagem, e eu respondi: Também acho estranho não escutar o ronco mais alto do mundo do outro lado da parede, ele mandou uma risada e eu sorri. Boa noite, eu mandei, e ele devolveu. Fui dormir sorrindo.

Justin.

           Acordei com o despertador tocando alto em meu ouvido, desliguei-o e liguei para Caroline.
           — Já acordou, dorminhoca? 
           — Não, não, atendi o telefone com forças sobrenaturais — ela disse rindo. — O que quer?
           — Vai se arrumar, vou te pegar daqui duas horas.
           — Tá — ela disse desligando. Joguei meu celular no criado-mudo e fui para o quarto de Chaz, acordando-o, e depois acordamos os outros. Apesar que os casais estavam dormindo juntos: Natalie com Chris, Chaz com Caitlin (o que eu ainda achava estranho), e Ryan com Jessica. 
           Depois descemos e fomos tomar nosso café da manhã: ovos mexidos, e suco de laranja. Yummi. Fiquei um pouco solitário, segurando a vela dos três casais, pelo menos quando Caroline estava aqui eu não era o único a ficar sozinho. E nessas horas percebo o quanto ela faz falta. Fomos todos tomar banho, e colocamos nossas roupas, jogamos as mochilas nos carros, os garotos foram para o aeroporto, mas eu fui para a casa de Caroline, que não era muito longe da minha, peguei as coisas dela, e joguei-as no porta-malas, ela se sentou na frente ao meu lado e me deu um beijo na bochecha, dizendo bom dia, o retribui, e então liguei o carro, fomos até o aeroporto. Algumas fãs, e alguns paparazzis nos pararam, eu dei autógrafos, abracei fãs e então entramos no jatinho. Colocamos algumas músicas no último volume e começamos a dançar, e rir pra caramba. Paramos um pouco antes de chegarmos em Bahamas, descemos do avião, e as fãs e paparazzis estavam lá, mais autógrafos e abraços e então entramos na van que nos levaria até o hotel no qual ficaríamos durante uma semana. Os quartos estavam divididos em dois andares. O penúltimo andar onde havia três quartos ficaram Chaz e Ryan, em um quarto, Jessica e Natalie em outro e Chris e Caitlin em outro. No último andar, o das coberturas, onde havia dois quartos ficaram eu, e é claro Carol.
           — Uau — ela exclamou quando abriu a porta de seu quarto.
           — É, eu sei é incrível. Me lembro da primeira vez que entrei num lugar desses, logo que achei a cama comecei a pular nela, e depois caí na cama espalhando algumas penas que haviam saído de um travesseiro.
           — Que infantil — ela disse rindo e entrando no quarto.
           — Qual é eu tinha quinze anos — eu disse seguindo-a enquanto ela abria as portas que haviam no quarto, visualizando-as bem.
           — Quinze anos! É infantilidade — ela disse rindo e se jogando na cama assim que acha o quarto. — Posso me acostumar com isso, mas não sei pra quê tantos armários, aposto que nem mesmo se a rainha da Inglaterra vir aqui usará todos os armários, quem dirá eu.
           — Que seja, tenho uma entrevista hoje, um show amanhã, depois teremos dois dia para ficar em casa e ir a praias, um dia com duas entrevistas, uma apresentação na rádio, e depois vamos ficar o dia inteiro fazendo compras para o luau que você propôs, depois vamos ficar a noite na praia, e no dia seguinte acordaremos cedo para pegar o voo para LA. Anotou? — eu disse, e ela assentiu com uma risada.
           — Como decora tudo isso? — ela pergunta se sentando na cama e me encarando.
           Dou de ombros, e olho para trás, onde dois homens uniformizados trazem as malas de Carol. Um pouco depois me viro para ela, podendo ainda ver um sorriso que logo que ela percebe que estou olhando para ela se desmancha devagarzinho.
           Olho-a e então também sorrio, ela agora está olhando pela janela, vendo uma praia vazia, e imagino que ela está querendo ir lá.
           — Tenho duas horas até a entrevista — digo sorridente, e então proponho: — Podemos ir até a praia, se voltarmos rápido.
           Ela faz que sim com a cabeça ainda com um sorriso no rosto, vou para meu quarto e coloco uma bermuda de banho, quando saio do quarto me deparo com Carol com uma camisa colada no corpo preta e amarelo e a pare de baixo de um biquíni amarelo. Sorrio olhando-a ir em direção ao elevador e apertando várias vezes até ele chegar no nosso andar.
           — Depois eu que sou infantil? — digo rindo e ela sorri, e só então reparo o quanto ela está sorridente, e fico me perguntando o motivo.
           — Kenny não vem? — ela pergunta olhando-me nos olhos enquanto o elevado para no andar de baixo ao nosso.
           — Vem, ele chega daqui uma hora — digo olhando a porta, será que eles também iam a algum lugar?
            Chaz, Ryan, Caitlin, Chris, Jessica e Natalie sorriem ao nos verem, e então entram no elevador, descemos juntos e quando chegamos ao térreo saímos do hotel andando pelas ruas até chegar a praia, que não é muito longe, demoramos no máximo uns sete minutos para chegar até ela.
           As meninas como sempre estenderam uma esteira no chão, e se deitaram nela, eu e os meninos corremos até a água e praticamente me jogo quando a água está perto de minha cintura. Sinto alguém atrás de mim e então volto a superfície com uma meia volta e dou de cara com Carol que está muito, muito perto de mim, o que faz Ryan, Chaz e Chris fazem sons provocantes de beijos. Reviro os olhos e dou um passo para trás, e ela faz o mesmo e então mergulha agarrando meu pé por debaixo da água o que me faz desequilibrar e cair na água, ela submerge rindo, e eu faço o mesmo com ela, mas dessa vez ela submerge com uma expressão raivosa, e sinto que haverá vingança mas não agora, a brincadeira começa a ter ruma e logo Jessica e Natalie também estão na água tentando agarrar os pés um do outro, quando penso na hora. Saio do mar e vejo uma mulher andando com um bebê no colo na calçada, e então chegando perto dela pergunto que horas são. Ela dá um gritinho e quase que o bebê cai no chão, se eu não tivesse segurado-o também, aposto que ele estaria no chão chorando. A mulher pega o celular de uma enorme bolsa, e vê as horas, em seguida pede para tirar foto comigo, eu assinto e ela se vai. Tenho que estar no hotel em alguns minutos, tomar banho e me trocar, faço um sinal para que o povo que ainda estava na água venham até mim, eles fazem, as meninas pegam as esteiras, e vamos para o hotel, chegamos lá, e todos nos enfiamos no elevados, eles descem no penúltimo andar, e eu e Carol vamos até o último. Entro correndo no meu quarto e vou tomar banho.

Caroline.

           Saímos da praia assim que Justin faz um sinal para irmos até ele, e então ele fala que tem que estar no hotel em minutos, assentimos e começamos nossa curta caminhada até o hotel, em silêncio, eu, particularmente estava sem assunto, e os casais se beijando, fazendo eu evitar pagar vela. Justin também estava em silêncio mas com um sorriso no rosto, acho que rindo da situação, chegamos no nosso andar e ele foi correndo para o quarto, vou para o meu também, entro debaixo do chuveiro e sinto as gotas fina da água pingarem em meu ombro descendo pelas minhas costas.
           Quando termino o banho coloco uma camisa roxa colada ao corpo, e uma calça, um Vans no pé, deixo meu cabelo secar ao natural e saio do quarto batendo na porta do quarto de Justin, esperando que ele deixe eu ir com ele na entrevista, não quero ficar de vela. Não, o termo "segurando vela" é inocente demais para a situação, eu estaria segurando é uma tocha olímpica.
           Bato na porta do quarto dele até ele abrir, ele está apenas com uma calça jeans, e uma toalha jogada nos ombros, além que está escovando os dentes. Entro no quarto rindo, o quarto é exatamente igual o meu, viro-me e o olho, enquanto ele anda até o banheiro, lava a boca e com a toalha a seca, depois se vira pra mim e diz:
           — O que foi?        
           — Posso ir com você, ou vou ter que me sentir uma forever alone mesmo? — pergunto com um sorriso.
           Ele faz que sim com a cabeça e pega uma camisa de uma das malas deixadas em um daqueles enormes quartos só para a bagagem.
           — Sim, o que? — pergunto rindo.
           — Você pode ir comigo, besta.
           — Obrigada, idiota — eu digo e ele, chega mais perto ainda colocando a camisa.
           — Vamos? — ele envolve meu ombro com o braço, e vamos para o elevador.
           Descemos até o estacionamento, e Justin abre a porta do passageiro para mim, entro no carro, e até mesmo antes de fechar a porta ligo o rádio. A música que está passando é de Justin, Turn to you, nunca tinha ouvido aquela música, e quando escuto percebo que é sobre o dia das mães. Nunca percebi que ele realmente ia para o estúdio.
           Fico sentada, apenas tentando acompanhar a música, que por sinal é linda, e a cada frase da música fico mais fascinada em como Pattie — a mãe de Justin —, é uma guerreira forte. Por mais que eu seja amiga de Justin, nunca fiquei realmente curiosa em saber da vida dele, apenas quando minha mãe estava assistindo o filme dele, mas só assisti uma parte.
           — Você está quieta — Justin diz apertando minha coxa.
           — Vou ficar tagarela então — digo me virando pra ele e sorrindo. — Qual vai ser a primeira coisa que vai ensinar pro seu filho?
           — Tocar violão e andar de skate, e você?
           — Eu, ahn... — hesito, eu gostaria de aprender a andar de skate e tocar violão pra ensinar isso pro meu filho. O Justin é tão estraga-prazeres. E então respondo: — Acho que seu soubesse fazer um dos dois, eu o faria.
           — Espera... Eu tenho uma coisa em comum com a menina mais irritante do mundo? — ele diz praticamente gritando. — Por favor, me diga que eu estou tendo um pesadelo.
           — Pesadelo nada, eu sei que você me ama. É um sonho.
           — Pesadelo.
           — Sonho.
           — Pesadelo.
           — Sonho.
           — Pesadelo, e eu não te amo. Fim.
           — Sonho, e você me ama sim. Demais.
           — Você sabe que quando a ficamos repetindo para nós mesmos que uma pessoa ama a gente é porque a gente quer que isso seja verdade. Então você que me ama.
           — Não amo, você que me ama.
           — Você que me ama, eu não te amo — eu digo elevando a voz.
           — É ao contrário.
           — Não é não.
           — É sim.
           — Não é.
           — Sim.
           — Não.
           — É sim, e pronto.
           — Não é, e fim — eu começo a rir olhando para Justin. — Parecemos duas crianças.
           — Crianças são divertidas.
           — Algumas são irritantes.
           — Só se você for irritante com elas, o que deve ser fácil para você.
           Bufo olhando ao redor procurando mais algum assunto, e então alguma coisa que meu pai havia me dito antes de desaparecer me veio a mente, não como um assunto, mas acho que sustentaria uma conversa.
           — Meu pai me contava, que a primeira vez que uma pessoa se apaixona muda a vida dela para sempre, e por mais que se tente, o sentimento nunca é esquecido. Eu nunca havia parado pra pensar, talvez porque nunca tenha me apaixonado, não de verdade. Mas será que é possível, alguém sentir algo tão... complexo por alguém? — pergunto refletindo em minhas próprias palavras.
           — Tudo é possível — ele diz entrando no estúdio. — Ainda mais quando se trata de assuntos do coração.
           E isso era tudo, paramos numa vaga próximo ao estúdio no qual entro com Justin logo em seguida, ele sobe uma escadaria, e eu o sigo. Ele para em frente a uma porta com o seu nome escrito nela, e se vira para mim dizendo:
           — Você vai ter que esperar fora até eu me...
           — Qual é garoto, eu já te vi só de cueca.
           — É que... eu... esqueci... de... colocar... a... cueca... hoje... — ele diz corando, o que me faz rir, e se vira fechando a porta pelas costas.
           Me encosto impaciente na parede ao lado da porta, esperando que ele saia logo, e então ele sai usando uma calça de couro preta, um tênis também preto, uma camisa preta, e um colete roxo também de couro.
           — Gótico — eu disse ignorando o colete roxo.
           (nota da autora: não tenho nada contra góticos, alguns anos atrás eu era considerada uma então... rs, se tiver algum lendo, não se sinta... humilhado ou algo assim, se tem alguém aqui que os respeita esse alguém sou eu -n)
           — Que você ama.
           — Não amo.
           — Vai começar?
           — Não.
           — Já começou.
           — E daí? Não prolongue o que não deve ser prolongado.
           — Vai entrar no palco comigo, ou vai ficar aí de guarda caso algum fantasma tente me matar? — Justin diz, mas eu não rio.
           — Onde você prefere que eu fique? — pergunto tentando lembrar a música que fica ecoando em minha mente.
           — Vem logo... — ele diz entrando novamente no quarto, e eu me jogo no sofá.
           — If I was your boyfriend, I'd never let you go. Keep you on my arms girl, you will never be alone... — cantei, ainda tentando lembrar o resto da música. — Hey, você conhece essa música?
           — Como não conheceria minha própria música?
           Quando ele diz isso congelo, era a música dele, óbvio. Boyfriend, se não me engano. E essa música estava na minha cabeça durante dias e eu nunca lembrava seu nome, ou de quem ela era.
           — Estou viciada em você — só depois que digo percebo o que fiz. — Quero dizer, viciada na sua música. Todos estão. É uma boa música.
           — Obrigado, vou cantar ela hoje, aqui.
           Respondo com um sorriso rápido, pois em questão de segundos o cameraman bate na porta gritando "5 minutos", saímos em disparada para o set de filmagem, e ainda estavam gravando o começo onde a entrevistadora anunciava para plateia que o convidado era Justin Bieber. Olho para o lado e não vejo Justin, começo a procura-lo mas não o acho, e então a direita da entrevistadora fumaça branca começa a sair e depois devagar uma silhueta começa a ser formada. Conheço a silhueta. Claro, convivi com ela tempo o bastante para saber de quem era. E então ele entra no palco improvisado, e entre gritos histéricos posso ouvir Justin cantando Boyfriend como tinha dito, e eu cantei junto com ele, tentando acompanhar com os olhos a dança que ele estava fazendo. E então discretamente ele virou o rosto para mim e piscou com aqueles olhos avelã e seu cabelo levemente bagunçado.
           Depois da apresentação ele se sentou em uma cadeira, e a entrevistadora me chamou como se tivesse lendo os pensamentos de Justin. Ou os meus. Ou o de ambos, eu sei lá. Não sei o que passa na mente daquele garoto, não infelizmente.

heeeeeey, esse capitulo ficou grande, bem eu gostei... espero que também tenham gostado, vou postar o próximo com 8 comentários, tá? é justo, não acham... obrigada leitores, vocês são demais.

14 comentários: